Face Leste em Guaianases
18/04/2012
A equipe da Bonita Produções esteve em março no Espaço Cultural Paulo Freire, em Guaianases, para exibir o documentário e bater um papo com os presentes a respeito da experiência de descobrir e revelar uma Zona Leste tão diversa.
Convidados pelo professor Beto Custódio, pudemos também distribuir dezenas de livros para os participantes da apresentação naquela calorosa noite de sexta-feira. Alguns exemplares foram deixados no local para serem compartilhados com ativistas sociais e moradores da comunidade interessados pela história do bairro e da região leste de São Paulo.
O que mais chamou a atenção no debate após a exibição do documentário foi a ânsia das pessoas pela história de Guaianases, saudando o livro e o documentário, por serem documentos que contribuem na busca dessas informações.
Outro momento de satisfação para a equipe foi a presença da Dona Francisca Pereira de Souza, personagem do capítulo sobre Guaianases, que esteve no Espaço Cultural e recebeu um livro e um abraço da nossa equipe.
A próxima exibição acontecerá no dia 27 de abril, na Paróquia São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo, às 20h. E no dia 04 de maio acontecerá a grande exibição do Face Leste na Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana, às 20h30. Não perca essa chance de assistir a um registro vivo de uma São Paulo tão atual.
O I Encontro Paulista dos Pesquisadores da Cultura acontece nos dias 09 e 10 de fevereiro na EACH-USP, reunindo pesquisadores das universidades, poder público e sociedade civil que atuam na área da cultura.
Tendo como objetivo fomentar o debate e organizar o campo da pesquisa em cultura no estado, o I Encontro Paulista dos Pesquisadores da Cultura criará espaços de interlocução e troca entre pesquisadores das mais diversas áreas de conhecimento.
Contando com aproximadamente 200 trabalhos inscritos, o encontro será composto por mais de 40 mesas onde os participantes apresentarão suas pesquisas, além de conferências sobre os desafios da pesquisa em cultura, sua avaliação e financiamento, bem como a temática da pesquisa em políticas culturais.
As mesas de apresentação de trabalhos foram estruturadas por temas, criando oportunidades de diálogo entre pesquisadores de diversas instituições e áreas distintas. Entre as primeiras estão desde universidades como USP, UNESP, PUC e Unicamp até instituições da sociedade civil e organizações culturais, responsáveis por 10% dos trabalhos a serem apresentados. Com relação às áreas de pesquisa, evidencia-se o forte caráter interdisciplinar do campo, contando com pesquisas que vão desde o campo das artes e da comunicação até áreas como a psicologia, a moda e a arquitetura, passando ainda pelas ciências sociais, história, educação, entre outros.
A diversidade de temas abarcados evidencia ainda a abrangência do campo, levantando a importância de um debate mais organizado no estado de São Paulo. Entre os assuntos tratados estão não só os eixos das linguagens artísticas como também a interface entre cultura e economia, as dimensões sociais da cultura, as políticas culturais, a interação entre cultura e território, o universo da mediação cultural, da mídia e comunicação, entre outros.
Entre os conferencistas convidados estão desde instituições que atuam na esfera cultural – a exemplo do MinC, SESC, Petrobrás e Itaú Cultural – até pesquisadores e gestores renomados. A proposta é que os debates girem não só em torno da estruturação do próprio campo de pesquisa como de sua potencialidade para reverberar na esfera pública, com iniciativas que fundamentem e consolidem as reflexões em torno da cultura, tornando-se o campo compatível com a centralidade que esta vem adquirindo em torno de toda a dinâmica social.
Serviço:
I Encontro Paulista dos Pesquisadores da Cultura
Dias O9 e 10 de fevereiro de 2012 no Campus da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (USP Leste).
A programação completa pode ser acessada através do site: www.pesquisaemcultura.org
Haverá trasmissão online por meio do sistema IPTV da USP, sendo os links disponibilizados no site do próprio encontro.
Inscrições
O encontro é aberto a todos que queiram assistir, bastando comparecer ao local do evento para realizar o cadastramento a partir das 08h do dia 09 de fevereiro.
Como chegar
Para chegar à USP Leste, de carro segue-se pela Rodovia Ayrton Senna, pegando a última saída antes do aeroporto de Cumbica. A saída é sinalizada e o prédio da EACH é visível da rodovia. De transporte público, basta seguir até a estação Brás ou Tatuapé do Metrô e fazer a conexão com a CPTM, pegando a linha F (sentido Calmon Vianna) e descendo na estação USP Leste, que já está integrada no campus.
Maiores informações: www.pesquisaemcultura.org
No último sábado (17.12) aconteceu o lançamento do projeto Face Leste na mitológica Capela de São Miguel Arcanjo, em São Miguel Paulista, bairro histórico de São Paulo e berço da Zona Leste paulistana. Foi um momento muito especial para a Bonita Produções, o fechamento com chave de ouro de um projeto fantástico que consumiu muitas horas, dias, semanas e meses neste segundo semestre de 2011, mas o resultado, tanto do livro quanto do documentário, enche de orgulho todos os que participaram do projeto.
O evento teve a apresentação do padre Geraldo Rodrigues, da Associação Cultural Beato José de Anchieta, responsável pela realização do projeto, que explicou em breves palavras o ideal do projeto e comentou também a satisfação pelo resultado final. Em seguida, o jornalista Rodrigo Herrero falou sobre a produção e a pesquisa do livro que procurou pontuar alguns aspectos gerais da história da Zona Leste e de seus distritos.
Na sequência, o diretor do documentário e coordenador editorial do livro, Daniel Reis, sócio da Bonita Produções, falou sobre a participação da empresa na produção do projeto e, mais especificamente, os caminhos percorridos pelo documentário, que foi exibido na sequência, e arrancou acalorados aplausos dos presentes que lotaram a capela. O vereador Ricardo Teixeira, responsável pela emenda parlamentar que destinou recursos para a concretização do projeto, também discursou e agradeceu por ter sido escolhido por apoiar o projeto.
Ao cabo das apresentações e da exibição do documentário, muitas fotos com toda a equipe registraram o momento histórico. Alguns dos entrevistados para o projeto estiveram presentes e posaram para fotos com um exemplar do livro em mãos. Obrigado ao seu Nilton Cruz, ao seu Francisco Mendes de Lucena, ao Hélio Santos Sodré e à Eunice Martins Garcia pela presença.
Após a solenidade, exemplares do livro foram entregues aos presentes e um coquetel coroou esse momento histórico para todos que se preocupam em resgatar e registrar a memória e a história de um povo e de uma Zona Leste tão importante e grandiosa e importante para cada um de nós.
A imagem no documentário Face Leste
15/12/2011
Hoje apresentamos o último post no Blog da Bonita sobre o documentário Face Leste, que terá seu lançamento, em conjunto com o livro, no próximo sábado, dia 17, às 20h, na Capela São Miguel Arcanjo, em São Miguel Paulista.
O foco deste post direciona-se para a questão estética e imagética do documentário. Se do ponto de vista teórico-conceitual temos a predileção pelas pessoas e suas impressões a respeito da Zona Leste, o ponto de vista do conceito imagético recai na figura de uma pessoa que decide passear pela Zona Leste para conhecê-la.
“Todos os planos de imagem, toda a estética do documentário foi pensada a partir do olhar dessa pessoa, tanto que todas as câmeras apresentam movimentos suaves. Às vezes nós procuramos mostrar a pessoa caminhando, mostrando seus passos pelos lugares, pois a gente queria passar essa sensação de andar na Zona Leste. E em alguns momentos o espectador está tão próximo que ele está atrás desse andarilho, por isso pegamos cenas da mochila, do ombro do viajante”, explica o diretor de fotografia do documentário, Theo Grahl.
Além de captar o caminhar desse cavaleiro errante que vaga pela Zona Leste até então desconhecida para ele, outra intencionalidade do vídeo é mostrar como ele se locomove pela região. E a equipe tomou ônibus, metrô e trem para tentar se aproximar mais da cotidianidade dos moradores dos bairros. Outro ponto foi contextualizar cada região por elementos que a identifiquem, caso da Basílica Nossa Senhora da Penha, a estação de trem em Guaianases ou mesmo a construção do estádio do Corinthians, em Itaquera, elemento que coloca agora a região em destaque.
Outro ponto importante e próprio é a respeito das entrevistas: “As entrevistas estão no tripé é porque é o momento em que o personagem senta pra conversar com a pessoa, então ele para para conversar. E a segunda câmera busca detalhes de onde a pessoa está, porque quando a gente está conversando a gente olha para o lado e observa o que tem à nossa volta, por isso, a gente vai passeando pelo lugar em busca desses olhares, tentando entender aquela pessoa”, conta.
E a imagem que o documentário passa a respeito Zona Leste, para Theo Grahl, é surpreendente. Isso porque, ele, como um não-residente da região, tinha uma percepção completamente diferente sobre. “Minha visão era um pouco preconceituosa. Mas era muito por não conhecer, por estar distante dela. E por mais que digam sobre a violência, eu percebi muita tranquilidade. Você vê aquele mundo de casas, principalmente da Penha para a frente, não é uma coisa caótica, por mais que pareça, mas caótica pela forma como ela foi ocupada e construída. Mas quando eu cheguei na Cidade Tiradentes me senti como se estivesse em uma cidade do interior, onde todos se conheciam, onde as crianças brincavam na avenida principal como se estivessem em uma ‘ruazinha’, enfim, como se fosse uma grande vila. Você vê uma familiaridade, uma proximidade entre as pessoas”, afirma, em um depoimento revelador de como a pesquisa e a imersão na realidade de um novo mundo modificaram completamente o seu pensamento. Nada como a vivência para quebrar estigmas e paradigmas.
Não se esqueça: sábado, dia 17, às 20h, na Capela São Miguel Arcanjo, o lançamento do livro e do documentário Face Leste!!!
Detalhes sobre o documentário Face Leste
13/12/2011
Olá amigos. Voltamos com mais um post no Blog da Bonita, agora para falar especificamente sobre o documentário Face Leste. Se o livro procura focar o ponto de vista histórico da Zona Leste, ainda que contenha o depoimento de moradores e sua relação com os bairros da região, o documentário procura apresentar fragmentos e impressões a respeito da face leste da cidade, sob uma perspectiva poética. Para isto, parte exclusivamente do olhar das pessoas que ajudaram a construí-la e que demonstram um carinho todo especial por ela. E o nome do projeto surge justamente por se tratar de um recorte sobre a face leste do rosto de São Paulo.
“O documentário é uma produção sinestésica, de sentidos. O objetivo das entrevistas foi o de entender a experiência das pessoas e a partir das suas próprias experiências. Então quando eu entrevisto a mulher do Brás, eu não estou preocupado com a fundação do Brás, eu quero entender a relação dela com o Brás, mas, principalmente, com a Zona Leste. E a gente percebe é que essa relação é uma relação local. Muitas vezes quando as pessoas falam, elas tratam a Zona Leste como um bairro, não apenas como uma região. A visão deles é restrita ao bairro, aquele espaço onde eles moram, é por isso que a maioria demonstra um extremo carinho. O documentário, podemos dizer, é uma viagem que faz um retrato sensível e emocional da Zona Leste de São Paulo”, explica o diretor do documentário, Daniel Reis.
A pesquisa de personagens dos bairros ocorreu de várias formas. A primeira delas caminhou em parceria com o livro, em uma fase em que ambos os processos foram desenvolvidos em conjunto, com as pesquisas de campo do livro sendo acompanhadas e observadas pela equipe do documentário. Com isso, alguns dos entrevistados garimpados na fase inicial da pesquisa do livro acabaram sendo incorporados na produção do vídeo. Outros foram conseguidos em incursões pelos bairros ou por meio de indicações de amigos, associações de bairro, ou mesmo com o auxílio de ONG’s.
“A gente buscou personagens que falavam com o coração, que não se prendessem a uma teoria, que pudessem agregar sentimento e tivessem desenvoltura. E Guaianases é uma das histórias mais legais, que tem no centro o seu Benedito, que demonstra a força da comunidade. No local existia uma favela com umas casas, que acabaram sendo retiradas e o terreno, gigante, virou um lixão. E como naquele lugar não havia lazer nem qualquer outra infra-estrutura, as pessoas se uniram, limparam o lixão e o transformaram em um campo de várzea. Hoje lá têm campeonatos e também o local se tornou também um espaço de convivência entre os moradores daquela comunidade. Eles viram beleza onde não existia”, finaliza Daniel Reis.
Ainda esta semana traremos outro post tratando sobre o documentário Face Leste, mas de uma perspectiva mais imagética e estética do vídeo. Não perca!
E não se esqueça: sábado, dia 17, às 20h, na Capela São Miguel Arcanjo, o lançamento do livro e do documentário Face Leste!!!
Chegou o dia!
11/12/2011
Curiosidades sobre o livro – Parte II
06/12/2011
Como prometido, estamos de volta com a segunda parte das curiosidades sobre os bairros que fazem parte do livro Face Leste: revisitando a cidade, que a Bonita Produções está fazendo em parceria com a Associação Cultural Beato José de Anchieta e a Prefeitura de São Paulo. Também faz parte do projeto um documentário audiovisual, que estaremos abordando aqui neste espaço em breve.
Se na semana passada o texto tratou de alguns dos bairros mais antigos da Zona Leste, hoje trazemos informações de alguns bairros mais recentes, mas que tiveram importância. São os casos de Itaquera e Guaianases, que tem uma presença maior de povoamento no fim do século XIX, e foram importantes para o contexto de crescimento de São Paulo por fornecerem matéria-prima para a construção civil por meio de suas pedreiras e suas olarias. Outro fator que possibilitou o desenvolvimento desses bairros até então longínquos foi a extensão da linha do trem que se dirigiu rumo ao Rio de Janeiro, cortando toda a Zona Leste.
Mas esses bairros – assim como Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Itaim Paulista, São Mateus, Aricanduva e toda a face leste da cidade – acabaram por ter um aumento da população a partir da segunda onda de urbanização e industrialização vivida por São Paulo, a partir dos anos 40 (mas que se intensificou nos anos 50 e 60 e se consolidou a partir dos 70), que impulsionou São Paulo em direção a uma grande metrópole e trouxe diversos de migrantes de várias regiões brasileiras para a capital paulista.
São Miguel Paulista e seus vizinhos viveram isso de forma mais presente com o complexo industrial da Nitro Química, que empregou milhares de funcionários e motivou vários mineiros, paranaenses, baianos, pernambucanos, e muitos outros, a rumarem ao desconhecido. Ermelino Matarazzo surgiu no entorno de uma fábrica de celofane do Conde Francisco Matarazzo. São Mateus surgiu a partir de um sonho de um italiano de criar uma região de nobre na Zona Leste, mas cresceu em torno do desenvolvimento da indústria automobilística do ABC e do pólo petroquímico de Mauá.
E com tanta gente migrando para essas áreas, faltou moradia para tanta gente, não é a toa que os movimentos populares de grande relevância na época se destinavam à luta por moradia, em um contexto de luta pela redemocratização do país, entre o fim dos anos 70 e boa parte dos 80, ainda sob a ditadura militar.
Nesse período foram criados os conjuntos habitacionais que foram insuficientes para adequar a gritante demanda por casas. Itaquera e Guaianases foram os locais que mais receberam casas e apartamentos da COHAB – parte de Guaianases que recebeu as construções foi transformada em Cidade Tiradentes posteriormente. Já o CDHU implantou imóveis no Itaim Paulista, principalmente, além de São Miguel e outras localidades.
Como foi possível perceber, a história da Zona Leste está ligada à história da migração dos brasileiros rumo às capitais e à luta por moradia. Mas é muito mais que isso, como o livro propôs pretende revelar. Há muitas histórias para contar, aqui é apenas um aperitivo do que queremos mostrar com o livro, na expectativa de que todos possam saborear as histórias, curiosidades e “causos” da face leste da cidade que a fazem ser esse verdadeiro – e rico – caldeirão de diversidade.
Curiosidades sobre o livro – Parte I
02/12/2011
Hoje a gente traz no Blog da Bonita a primeira parte de um texto com algumas curiosidades sobre os bairros selecionados para o livro Face Leste: revisitando a cidade. A cada pesquisa iniciada, a cada leitura concluída, as informações iam brotando aos borbotões, e sendo agregadas ao material anterior, indicando um mundo gigantesco de histórias e possibildiades de abordagem para cada capítulo-bairro. E cada bairro, claro, com sua peculiaridade, revelando que a Zona Leste possui um mosaico complexo e heterogêneo, modificando um pouco o cenário cinza e único de pobreza e abandono, comum quando se faz comentários sobre a região. Mas, além de produzir uma diversidade social e cultural ricas, a Zona Leste também tem muita história.
A mais antiga delas remete aos primórdios da colonização brasileira e da fundação de São Paulo, ainda Vila de Piratininga. São Miguel Paulista foi um dos primeiros aldeamentos da cidade, e teve no seu fundador o valioso personagem religioso, o Beato José de Anchieta, partícipe da fundação de São Paulo. O aldeamento de São Miguel de Ururaí era estratégico no século XVI, principalmente por proteger a Vila de Piratininga dos ataques dos franceses, auxiliados pelos índios Tamoios, que vinham do Litoral Norte e ameaçavam atacar via Mogi das Cruzes.
Outra região antiga da Zona Leste é a da Penha, que surgiu a partir do fervor religioso em torno de Nossa Senhora da Penha, que foi a origem e o motor do bairro. As extensas procissões de fiéis até a região para venerar a santa proporcionou a formação do bairro que hoje é bastante tradicional na Zona Leste e até já foi sede do governo da antiga província de São Paulo, durante a revolução de 1924, quando o então governador Carlos de Campos se refugiou no bairro ante os ataques dos tenentes revoltosos. E até uma visita do então imperador Dom Pedro II no final do século XIX é fato de orgulho para seus moradores.
Esse período também foi marcante por conta da crescente imigração estrangeira, que trouxe italianos, portugueses, espanhois, japoneses e toda a sorte de imigrantes que vinham com o sonho de prosperar na farta terra brasileira. Muitos foram trabalhar na lavoura de café no interior paulista, em regiões como Jundiaí, e eram levados até lá de trem a partir do desembarque no Porto de Santos. E um dos pontos de recrutamento de imigrantes era na Hospedaria dos Imigrantes do Brás, que motivou o crescimento deste bairro, da Mooca, Vila Prudente e Pari na Zona Leste, além do Ipiranga, Lapa, Barra Funda, Bom Retiro, as regiões em torno da linha férrea, que receberam várias indústrias, em que muitos imigrantes que não se acostumavam com a lavoura acabavam por trabalhar.
Por agregar tantos operários, esses bairros também foram fontes de reivindicação por melhorias nas condições de trabalho e salário, sendo símbolo a Greve de 1917, que teve início na Mooca e produziu diversos progressos nas leis que foram formuladas nos anos seguintes, principalmente no governo Getúlio Vargas.
Uma peculiaridade interessante está na Vila Prudente ter sido fundada por uma família de italianos, que desejavam instalar uma grande fábrica de chocolate e confeitos e forjaram um bairro para fazer seu negócio dar certo.
Apesar da história do Tatuapé remontar ao século XVII, o bairro também abrigou indústrias, embora em um período posterior, o que propiciou um melhor desenvolvimento tecnológico, empresas mais avançadas e maiores. Isso vai proporcionar, anos mais tarde, uma condição especial na construção de empreendimentos imobiliários para muitas das famílias ricas e tradicionais do bairro, aproveitando os imensos galpões vazios das antigas fábricas, o que vai dar elevar o padrão de moradia e de moradores no Tatuapé em anos mais recentes.
Na semana que vem, a segunda parte desse texto repleto de curiosidades sobre os bairros da Zona Leste paulistana. Até lá.
Face Leste: o processo de criação do livro
30/11/2011
Vamos continuar a falar aqui no Blog da Bonita sobre o projeto Face Leste: revisitando a cidade. Hoje vamos abordar um pouquinho como se deu a produção do livro. Em conversa com a Associação Cultural Beato José de Anchieta, surgiu um pedido para que o livro contemplasse o maior número de obras e informações que servissem de base para estudantes, pesquisadores e quem mais almejasse conhecer sobre a região, servindo como uma compilação de histórias, livros e personagens da Zona Leste.
Ou seja, mais que um desejo, encaramos como uma necessidade quando se fala sobre a Zona Leste, tão pouco conhecida, refletida e com sua história contada em fragmentos, que agora estão reunidos em um resumo de alguns de seus principais bairros e com referências bibliográficas de vários trabalhos de pesquisa, livros, dissertações de mestrado e teses de doutorado.
Com esta missão na cabeça, começamos as pesquisas. A internet é uma ótima ferramenta para iniciar qualquer busca. Ela indica os caminhos, aponta os autores, as pessoas, as entidades, enfim, quem possa ajudar a responder nossos questionamentos e angústias quanto a qualquer tema. Mas é preciso ir além. De posse de muitos nomes de acadêmicos e estudiosos em geral, a meta seguinte é ir atrás dos livros, das dissertações e teses armazenadas nas universidades. E aqui vai um elogio à USP e à PUC-SP que detém um arsenal gigantesco e rico de obras. A leitura desse material proporcionou a composição de um mosaico rico de informações e abriu muitas possibilidades de abordagem em cada um dos 13 capítulos, que corresponde aos 13 bairros contemplados no livro.
Essa pesquisa inicial – mistura de internet com leituras das fontes diretas – que levou cerca de um mês indicou, consequentemente, as fontes que seriam entrevistadas para compor o debate dentro do livro. Pois como nossa meta era abordar o texto sob o estilo de uma revista, mais solto, sem as amarras da teorização acadêmica, privilegiaria, além dos livros e pesquisas, entrevistas com os autores desses trabalhos, para ir além da obra acadêmica e tentar entender particularidades a respeito de cada bairro.
A internet nos auxiliou também na busca por protagonistas ou moradores simples desses bairros, para trazer um aspecto mais íntimo, mais pessoal sobre essas regiões, procurando aproximar a história do bairro com o cotidiano e a história de vida das pessoas que vivem na região. Em contato com entidades locais encontramos líderes comunitários, membros de movimentos sociais, donas de casa, aposentados, enfim, pessoas envolvidas com a comunidade e também pessoas simples, todas com uma visão bastante peculiar sobre o lugar onde vivem. Talvez uma coisa que pode-se dizer que é semelhante na boa parte dos bairros é a história de imigração, que é o cerne da história da Zona Leste. Tanto imigrantes estrangeiros quanto os migrantes nordestinos, mineiros, paranaenses, do interior paulista, etc. É o que simboliza uma terra que foi sendo ocupada com o decorrer do século XX e com o desenvolvimento e crescimento da urbanização na cidade de São Paulo e pelas capitais de todo o Brasil.
A fase seguinte foi a da realização das entrevistas com os pesquisadores e com os moradores dos bairros, um processo que durou cerca de dois meses e foi o período mais prazeroso do projeto: conhecer pessoas, suas histórias, visitar os bairros e vivenciar a experiência de perto, estando próximo, além de debater teorias, compreender o fenômeno que transformou a Zona Leste no gigante que ela é hoje. As entrevistas ajudaram a compreender também a Zona Leste do ponto de vista teórico, acadêmico, por meio de um ponto de vista compartilhado por vários pesquisadores nos seus trabalhos e nas entrevistas colhidas, o que possibilitou uma ampla Introdução focando nas raízes, causas e conseqüências do porque que a Zona Leste se desenvolveu para a forma como conhecemos hoje.
Com tudo isso em mãos, mais um período de quase dois meses para reunir todo o material colhido desde a pesquisa, refletir bastante e começar a dar forma ao livro, escrevendo, escrevendo e escrevendo, na tentativa de passar ao máximo o sentimento que representa cada um dos bairros citados no livro, sem deixar de colocá-los no contexto da Zona Leste, em que cada região teve uma importância ímpar para o crescimento da Face Leste da cidade. O resultado está na gráfica e em breve será compartilhado com todos e esperamos que todos gostem, pois foi um trabalho árduo mas satisfatório, que ensinou muito a todos os envolvidos e será uma etapa de nossas vidas inesquecível.
Volte aqui mais vezes, pois em breve traremos mais informações sobre o livro e mais curiosidades sobre os bairros presentes no livro. Até a próxima!
Novo projeto: Face Leste
28/11/2011
A Bonita Produções, em parceria com a Associação Cultural Beato José de Anchieta e a Prefeitura do Município de São Paulo, executa o projeto Face Leste: revisitando a cidade, que desembocará em um livro e em um documentário audiovisual. Enquanto o livro tem como objetivo contar a história oficial da Zona Leste por meio de alguns bairros, mesclada com depoimentos de seus moradores que ajudaram a construir essa história, o documentário pretende contar as emoções, sensações, vivências e percepções exclusivamente dos moradores que demonstram toda a sua particularidade, demonstrando porque a Zona Leste é uma região tão especial e peculiar dentro de São Paulo.
Esse projeto dá prosseguimento ao Guia Cultural e Turístico da Zona Leste de São Paulo, produzido pela Associação em 2010 e que procurou destacar as principais atividades culturais e de lazer, além dos equipamentos públicos da região, mostrando às pessoas o que a Zona Leste tem a oferecer.
Em decorrência disto, o projeto do livro Face Leste: revisitando a cidade procurou seguir com os mesmos distritos escolhidos no Guia. Sendo assim, temos entre os locais abordados no livro: Aricanduva, Brás, Cidade Tiradentes, Ermelino Matarazzo, Guaianases, Itaim Paulista, Itaquera, Mooca, Penha, São Mateus, São Miguel Paulista, Tatuapé e Vila Prudente. Enquanto isso, o documentário preocupou-se em focar menos na quantidade dos bairros e mais na exploração de pessoas que pudessem demonstrar toda a sua identificação e enraizamento com a Zona Leste, em qualquer região que seja.
Ambos os frutos do projeto estão em fase de finalização: enquanto o livro está sendo impresso na gráfica, o vídeo está em edição final e recebe os últimos retoques para estar pronto para a exibição em um evento de lançamento que ainda terá a sua data confirmada. Tão logo o dia esteja tudo certo, a gente publica aqui no Blog da Bonita e divulga em nossas redes sociais. Em breve, mais novidades aqui no Blog sobre este projeto, com curiosidades sobre as histórias e a pesquisa de campo, observações sobre o processo de criação e desenvolvimento, tanto do livro quanto do vídeo! Muita coisa boa vem por aí!
